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Templo - Texto definitivo

Sabemos da grande confusão que existe quando falamos de templo ao nos referirmos aos prédios, edificações onde os crentes se reunem. O texto de autoria do Pr. Renato Cordeiro de Souza (da Primeira Igreja Batista de Teresópolis/RJ) é o mais sucinto e definitivo na discussão deste assunto.

Um cântico para louvar Jesus, não o templo
Publicado no informativo da PIBT em 18 de julho 2010
Pr. Renato Cordeiro de Souza

No Antigo Testamento, quando um judeu queria estar na presença de Deus, ele ia ao templo. Por isso, vários salmos exaltam Jerusalém, a cidade do Grande Rei e o Monte de Sião, onde o templo ficava localizado. Para o hebreu daqueles dias, estar no templo era estar diante do próprio Deus. Por isso, alguns salmos chamam os adoradores para que observem bem o templo, as suas torres, e pormenores da sua estrutura.

Havia até salmos feitos para os peregrinos, em romaria, que iam  ao templo, em Jerusalém. São chamados de “cânticos dos degraus” ou “cânticos de romagem”. Os peregrinos cantavam a expectativa de estarem diante de Deus, no templo: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do Senhor”, diz um bem conhecido.  No Salmo 84, o autor sente inveja das andorinhas e dos pardais que fizeram ninho dentro do templo, pois eles podem viver diante do Senhor o tempo todo.

Steve McEwan escreveu um cântico baseado no Salmo 48, que é cantado por nossas igrejas hoje. Se o irmão está lembrado, o cântico diz assim:

“Grande é o Senhor e mui digno de louvor,
na cidade do nosso Deus, seu santo monte,
alegria de toda a terra.”

Só que o Deus a quem servimos não fica limitado ao templo. Como bem disse o Rei Salomão, na oração que fez durante a cerimônia de inauguração do templo: “Eis que o céu e o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei” (2Cr 6.18).

A Bíblia é cristocêntrica, ou seja, suas páginas sempre apontam para Jesus. No Novo Testamento Jesus substitui o templo. É que Deus veio ao mundo na pessoa de Jesus.  Ele “se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória como a glória divina do Pai” (Jo 1.14). Jesus é Emanuel, Deus conosco (Mt 1.23). Estar diante de Jesus é estar diante de Deus (Jo 10.30). Ter Jesus é ter Deus na vida. Por isso, no Novo Testamento, o templo são os crentes em Jesus Cristo, onde o Espírito Santo habita (1Co 6.19). 

Então, em certo sentido, o Salmo 48 já caducou. Não devíamos cantar a beleza do templo, nem o Monte de Sião, e muito menos nos concentrar nos seus muros, torres ou baluartes.  Até porque o templo de Jerusalém já nem existe mais. Tudo o que é dito sobre ele, no Salmo e neste cântico, se aplica à pessoa de Jesus.

Somos gratos pela obra de Jesus em nossas vidas, pois Ele nos perdoou, nos justificou, está nos santificando e nos glorificará.  Ele, sim, é grande e digno de louvor e traz alegria aos que O conhecem. Ele nos dá vitória e nos ajuda contra os inimigos (Rm 8.31-39). É o nome de Jesus, nome sobre todo o nome, que deve ser engrandecido (Fp 2.9-11). Hoje vivemos confiados no Seu infinito amor (Jo 3.16, Rm 5.5-11).  Então, por favor, da próxima vez que for cantar este cântico, cante-o pensando na grandeza do nosso Senhor e Salvador Jesus.

Comentários

O Pastor Renato sempre escreve belíssimamente. Concordo. O que importa não é deixar de cantar a beleza do templo ou o Monte de Sião, mas sim instruir a igreja na arte da interpretação bíblica pra que seus membros saibam que vemos Cristo como a personificação do Templo! Na visão do cristão todos os versículos da Bíblia tem quatro interpretações:

Histórica - aquilo que significou no passado
Teológica - aquilo que significa para a Fé da Igreja
Pessoal - aplicação da história e da teologia na vida do crente
Escatológica - correlação com o livro do Apocalipse, levando-nos a saber sobre as coisas futuras.

É por essa razão que o Salmo não caducou ou jamais caducará! O significado do véu, ao rasgar-se na morte do Cordeiro, não é de romper com o Velho Testamento. E sim de interpretá-lo a luz de Cristo.

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