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A pátria de chuteiras - Pr. Renato Cordeiro de Souza

A PÁTRIA DE CHUTEIRAS 

Pr. Renato Cordeiro de Souza - Primeira Igreja Batista de Teresópolis
 
Incomoda-me ver um comercial de cerveja onde aparecem técnico e jogadores da seleção brasileira de futebol convocando a torcida para uma guerra de chuteiras. Talvez por isso, o técnico tenha deixado de lado jogadores hábeis como Neimar, Ganso e Ronaldinho Gaúcho. Ele optou por gente tipo “bateu-levou”, como Júlio Batista, Kleberson e Felipe Melo. Ele não queria gente boa de bola, desejava guerreiros.  De repente, a bola se transforma numa bomba, o gramado se transfigura em ferrolhos, e um mero jogo de futebol passa a ser uma batalha de vida ou morte. 
Agora, veja a diferença. Perguntei aos meus amigos de Portugal onde veriam o jogo do Brasil x Portugal. Eles me disseram que estariam trabalhando na hora do jogo. A Copa do Mundo não para o País. Também, em Londres, houve até um movimento para que as pessoas fossem dispensadas do trabalho na hora dos jogos do English Team. Só que o pedido foi imediatamente rejeitado. É assim que acontece em país sério. A Copa do Mundo não é vista como a terceira guerra mundial nem mesmo como uma simples batalha. Não é uma guerra de chuteiras. Trata-se de uma mera competição esportiva. 
Já é um absurdo termos anúncios de bebidas alcoólicas cedo, de manhã, nas TVs. Em países sérios, assim como foram abolidos anúncios de cigarro, também não consentem anúncios de bebidas alcoólicas. Noutros, a propaganda de bebidas só pode ser veiculada na TV depois das 22h. Claro que o lobby das empresas do ramo aqui é muito forte, e derrama muita grana nas mãos dos nossos parlamentares para que uma lei assim não seja aprovada. 
É uma estupidez associar jogadores de futebol com guerreiros e adicionar a isso bebida alcoólica. Temos aí uma mistura suficiente para uma explosão social. A torcida vai enchendo a cara, ao som das vuvuzelas e de batuques. Se a seleção ganha, tudo bem. Mas se perde, temos combustível considerável para brigas, confusão e tragédias.
A minha expectativa é que nosso técnico e jogadores tenham se prestado a fazer um comercial impróprio desses apenas pela grana que receberam. Consola-me vê-los todos com chuteiras coloridas. Eles já não precisam da velha e fora de moda chuteira preta, que usavam quando lutavam por um lugar ao sol nos gramados do País. As chuteiras coloridas se prestam, hoje, a mandar mensagens para a torcida, e engrossar as suas contas bancárias. Ricos e famosos, agora não vemos nossos jogadores indo na bola com raça, porque já não precisam dela, como no passado, quando iam nela como num prato de comida. 
Claro que gostaria que o Brasil fosse hexa, mas, confesso, vibraria muito mais se a nossa Pátria fosse campeã sem chuteiras. Que não víssemos, estarrecidos, a sofrida população do sertão nordestino perder tudo o que tem em função da falta de investimento em infraestrutura. E saber que o projeto pessoal do ex-Ministro da Integração Nacional, futuro candidato ao governo da Bahia, canalizou 37% das verbas para prevenção contra desastres para atender aos municípios do seu Estado. É um caso claro de uso de verbas públicas com fins eleitoreiros. Para Alagoas, Estado governado pela oposição, e no epicentro do flagelo, apenas 0,3%.  Num país onde o povo não fica bêbado ou anestesiado por uma Copa do Mundo, ele teria sua candidatura a governador cassada, e ainda estaria sujeito a prisão. 
Perdemos. Mas não é o fim do mundo. Importante é que nos tornemos  cidadãos conscientes dos nossos direitos e deveres. E, sobretudo,  nós, crentes em Cristo, sejamos “guerreiros do evangelho” que,  com coragem, determinação e ardor, combatamos o bom combate, acabando a carreira e guardando a fé.

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